Prog
O Progressive Trance, ou Prog, ocupa a faixa de BPM entre 128 e 140 e se caracteriza por uma condução rítmica extremamente groovy e hipnótica, construída sobre linhas de baixo repetitivas que rolam de forma contínua, quase como um mantra sonoro. As faixas costumam ter arranjos longos, com builds progressivos que se desenvolvem lentamente ao longo de vários minutos, adicionando camadas de arpejos, pads atmosféricos, riscos filtrados (risers) e elementos emprestados do techno, do electro e do house — o que torna sua sonoridade menos psicodélica em timbre do que o Full-On ou o Dark, mas ainda assim envolvente e viciante. A atmosfera é hipnótica e por vezes melancólica, favorecendo estados de imersão profunda na pista, e por isso costuma tocar durante a tarde e a noite, criando uma transição suave entre os momentos mais melódicos e os mais pesados de um lineup. É uma das vertentes que mais atraem públicos que vêm de fora do universo psy tradicional, funcionando como porta de entrada para a cena.
O Progressive Trance surgiu no início dos anos 2000, a partir da fusão entre o Progressive House e o Progressive Trance europeus — estilos que já vinham explorando builds longos e grooves hipnóticos nas pistas de clubes — com a base psicodélica do Goa Trance e do Psytrance israelense e europeu. Produtores começaram a suavizar a agressividade psicodélica tradicional, priorizando a repetição hipnótica e o groove contínuo em detrimento de melodias muito orientais ou dissonantes. O estilo ganhou tração especial no Brasil a partir da segunda metade dos anos 2000, tornando-se uma das vertentes mais populares e comercialmente relevantes do país, o que ajudou a consolidar o Brasil como um dos maiores mercados mundiais de Psytrance. Com o tempo, o Prog se ramificou em variações regionais e estéticas, incorporando influências do Big Room, do Electro e até do Techno contemporâneo, mantendo-se como um dos pilares centrais dos grandes festivais nacionais e internacionais.