Zuvuya Festival 2018: Uma olhada a um clássico do psytrance brasileiro

Liano Dornelles • 18 de janeiro de 2018

Localizado em Luzânia (Goiás) e sendo um dos festivais psytrance mais antigos no Brasil , o Zuvuya Festival ,    se reinventa de cara a sua nova edição de Carnaval, tendo como substrato os desafios enfrentados até agora e as suas conquistas, que lhes garantem a confiança de um público que acredita nos 7 anos de vida do festival.  Tudo parece indicar que o Zuvuya está a caminho de uma transformação que promete trazer inovação para a cena.  

E por isso, quem melhor que eles mesmos para traçar um   percorrido sobre as suas pegadas e apontar os novos horizontes. Confira:        

Na construção da identidade “Zuvuya”, quais são os valores do festival?

O Zuvuya Festival foi criado em cima da admiração à cultura psicodélica , tendo como missão propor uma experiência audiovisual profunda , imergindo ao máximo o público em uma vivência rica em psicodelia, em um ambiente isolado da civilização e tentando resgatar ao máximo os valores da amizade e família

Como surgiu a ideia de fazer o festival?

Nós fazíamos a Forest Family  como festa de 24hrs, na época a 7 anos atrás o volume de festivais no Brasil era bem reduzido, a idéia de fazer o Zuvuya veio da não existência de nenhum festival com enfoque no som noturno na época , e para realizar um festival na região do centro-oeste com uma pegada mais séria.

E o   line up então continua sendo nessa linha…

 Sim, o  Zuvuya sempre teve seu foco nas vertentes noturnas , visando aprofundar a experiência psicodélica audiovisual.

Nessa primeira fase de exploração artística, sendo um dos festivais pioneiros do Brasil , o desafio deve ter sido enorme. Existe uma relação entre o  Zuvuya e o Surya Ecoart , certo?  

Sim, a  Surya EcoArt  surgiu da necessidade de mão-de-obra para a construção dos eventos que eram realizados por nós, principalmente no Zuvuya que foi onde realmente tivemos a necessidade de nos profissionalizar em todos os sentidos da bioconstrução e cenografia , tendo o festival um papel muito importante no amadurecimento da Surya.

{ Conheça mais sobre o trabalho de um dos coletivos pioneiros SURYA EcoArt – Decoração & Bioconstrução Nacional }

Quantas edições já tem o Zuvuya?

Vamos agora para 5ª edição do festival, lembrando que a partir de 2014 o festival passou a ocorrer de 2 em 2 anos.

E olhando para a primeira edição, o que mudou ao longo dos anos?

Acredito que o amadurecimento da equipe em relação ao trabalho a ser feito, a rede de contatos no mundo do Trance que é algo muito importante, que com o passar dos anos fica cada vez mais forte e entrelaçada, e a credibilidade e visibilidade do festival como um todo.

Sabemos que para esse carnaval 2018 o Zuvuya vem com várias mudanças. Poderiam resumir essa nova proposta?

A proposta para esse ano era a integração total do público com a produção d o evento, tanto na tomada de decisões, direcionamento financeiro e escolha dos projetos .

Para mais detalhes confira o vídeo do festival sobre a nova logística: 

De onde surgiram conceitos tão inovadores  ? É uma idealização intencional de vocês ou a forma que encontraram para se adaptar à dinâmica público-festival-vendas?

A idéia do conceito descentralizado teve base nos modelos de crowdfunding e criptomoedas que temos hoje em dia, onde não existe uma matriz reguladora central . Foi uma experiência que nos propusemos a fazer para tentar trazer algo novo para a cena, uma experiência nova para o público .

As criptomoedas terão algum papel além do consumo dentro do evento? Quais as vantagens dela em relação ao dinheiro tradicional?

A criptomoeda Zuvie foi utilizada no sistema de escolha dos projetos artistícos , sendo uma moeda que se valorizava de acordo com a venda de ingressos , assim como acontece com as criptomoedas que temos em circulação hoje em dia, com a intenção de valorizar as pessoas que compraram os ingressos no 1º lote, ainda estamos estudando a utilização durante o evento.

No vídeo, vocês colocam que um dos principais problemas do modelo de evento tradicional é o fluxo de caixa e as condições ruins de trabalho, devido ao maior volume de ingressos a serem vendidos na reta final. No modelo descentralizado e com participação do público vocês mencionam atrelar gastos à venda de ingressos, mas isso não implicaria em criar estrutura para um evento muito menor do que poderia ser? Como podem reduzir o impacto disso?

Esse foi o maior problema que nos deparamos, o que pudemos ver ao decorrer do ano com as vendas e a proposta do modelo descentralizado é que e a maioria do público ainda tem a necessidade de ver o artista divulgado para acreditar no evento e que muitas vezes as pessoas não querem ter o trabalho de entrar, votar e etc. Isso se tornou um grande problema quando chegamos na data limite para realizar a logística de artistas e operacionalizar o festival, tínhamos pouquíssimos projetos votados, por isso tivemos que tomar uma ação para tornar viável a realização do festival, saindo um pouco da proposta descentralizada e escolhendo alguns artistas por nossa conta .

Sobre as decisões compartilhadas , como será o processo para organizar tantas demandas e opiniões sobre o que deveria ou não ser feito? Existem limites para a participação popular (ex. pedir artistas muito comerciais)?

O festival tem seu conceito e qualquer coisa que a produção do festival acredite que esteja fugindo do conceito do evento não são aceitas, visando sempre manter a qualidade e raízes do evento.

Muito se fala sobre “manter as raízes do festival” ao longo da sua existência e crescimento. Para vocês, existe um tamanho ideal para o Zuvuya?

Acredito que as raízes de um festival não são mantidas pelo limite de público e sim pela capacidade da produção em manter a qualidade do evento para 200 ou 20.000 pessoas. Quando a equipe é boa, o local suporta e está tudo sincronizado não vejo razão para limitar o evento. Para o Zuvuya acredito que o tamanho ideal é a capacidade que temos de receber as pessoas e estamos longe ainda do tamanho ideal!

As decisões do público não necessariamente são em prol da sustentabilidade, como garantir que o público ‘certo’ está co-criando o evento?

Nunca tem como garantir quem é a pessoa que está do outro lado comprando ingresso e sendo um co-criador do festival, acreditamos que a pessoa por acreditar na proposta do festival já tem ou está buscando um conceito diferente de vida , mas só garantimos a sustentabilidade do evento fazendo um trabalho de campo de conscientização , tentando reduzir ao máximo nosso impacto no local .

E nesse sentido, como garantir a susentabilidade ?

Já desde a segunda edição não usamos descartaveis , utilizamos banheiro seco , fazemos composteira , gestão de resíduos da praça de alimentação, mais toda a parte de bioconstrução .

“Não será permitida a entrada de latas no festival e serviremos as bebidas em Eco Copos para manter o festival limpo e a diversão consciente” – Zuvuya Festival

Parabéns, precisamos muito mais disso.  E por fim, o que podem dizer o local escolhido para a celebração para quem ainda não conhece?

O local escolhido para celebração é o mesmo desde a primeira edição, o Lago Corumbá IV , é um dos maiores lagos do Brasil , e proporciona um visual incrível ficando atrás do palco para quem dança na pista, e ainda proporciona um bom alívio ao calor nos dias quentes.

 width= width=Lucas Hamman

Fique por dentro das novidades do Zuvuya 2018:

• 6 dias de Camping 
• 3 áreas: 
SYNC 
dedicado à música psicodélica uptempo e midtempo.
CYMATIC
chillout e downtempo.
CURArte
palestras, oficinas culturais, práticas, projeção de vídeo e performances.
• Áreas destinadas ao convívio artístico e cultural 
• Performances e Intervenções Artísticas 
• Feira Mix 
• Healing Área 
• Acesso ao Lago Corumbá IV 
• Chuveiros 
• Sanitários com limpeza 24 horas por dia 
• Praça de Alimentação 
• Cozinha comunitária
• Entrada de bebidas liberdada
• Posto Médico 24hs 
• Segurança especializada em festivais

Acompanhe e  fortaleça nas redes sociais a crew   Zuvuya Festival 

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Zuvuya é o termo maia usado para indicar o grande circuito da memória; é o canal direto da me­mória. Ele nos liga tanto ao futuro como ao passado porque se trata de uma linha interdimensional. Zuvuya é a força que impulsiona a sincronicidade e, conseqüen-temente, a fonte de suprimento da magia” – José Arguelles (“Os surfistas do Zuvuya: história de uma viagem interdimensional”)

Confira o vídeo da 4ª edição da websérie Consciência em Transe

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