Zuvuya Festival 2018: Uma olhada a um clássico do psytrance brasileiro
Localizado em Luzânia (Goiás) e sendo um dos festivais psytrance mais antigos no Brasil , o Zuvuya Festival , se reinventa de cara a sua nova edição de Carnaval, tendo como substrato os desafios enfrentados até agora e as suas conquistas, que lhes garantem a confiança de um público que acredita nos 7 anos de vida do festival. Tudo parece indicar que o Zuvuya está a caminho de uma transformação que promete trazer inovação para a cena.
E por isso, quem melhor que eles mesmos para traçar um percorrido sobre as suas pegadas e apontar os novos horizontes. Confira:
Na construção da identidade “Zuvuya”, quais são os valores do festival?
O Zuvuya Festival foi criado em cima da admiração à cultura psicodélica , tendo como missão propor uma experiência audiovisual profunda , imergindo ao máximo o público em uma vivência rica em psicodelia, em um ambiente isolado da civilização e tentando resgatar ao máximo os valores da amizade e família .
Como surgiu a ideia de fazer o festival?
Nós fazíamos a Forest Family como festa de 24hrs, na época a 7 anos atrás o volume de festivais no Brasil era bem reduzido, a idéia de fazer o Zuvuya veio da não existência de nenhum festival com enfoque no som noturno na época , e para realizar um festival na região do centro-oeste com uma pegada mais séria.
E o line up então continua sendo nessa linha…
Sim, o Zuvuya sempre teve seu foco nas vertentes noturnas , visando aprofundar a experiência psicodélica audiovisual.
Nessa primeira fase de exploração artística, sendo um dos festivais pioneiros do Brasil , o desafio deve ter sido enorme. Existe uma relação entre o Zuvuya e o Surya Ecoart , certo?
Sim, a Surya EcoArt surgiu da necessidade de mão-de-obra para a construção dos eventos que eram realizados por nós, principalmente no Zuvuya que foi onde realmente tivemos a necessidade de nos profissionalizar em todos os sentidos da bioconstrução e cenografia , tendo o festival um papel muito importante no amadurecimento da Surya.
{ Conheça mais sobre o trabalho de um dos coletivos pioneiros SURYA EcoArt – Decoração & Bioconstrução Nacional }
Quantas edições já tem o Zuvuya?
Vamos agora para 5ª edição do festival, lembrando que a partir de 2014 o festival passou a ocorrer de 2 em 2 anos.
E olhando para a primeira edição, o que mudou ao longo dos anos?
Acredito que o amadurecimento da equipe em relação ao trabalho a ser feito, a rede de contatos no mundo do Trance que é algo muito importante, que com o passar dos anos fica cada vez mais forte e entrelaçada, e a credibilidade e visibilidade do festival como um todo.
Sabemos que para esse carnaval 2018 o Zuvuya vem com várias mudanças. Poderiam resumir essa nova proposta?
A proposta para esse ano era a integração total do público com a produção d o evento, tanto na tomada de decisões, direcionamento financeiro e escolha dos projetos .
Para mais detalhes confira o vídeo do festival sobre a nova logística:
De onde surgiram conceitos tão inovadores ? É uma idealização intencional de vocês ou a forma que encontraram para se adaptar à dinâmica público-festival-vendas?
A idéia do conceito descentralizado teve base nos modelos de crowdfunding e criptomoedas que temos hoje em dia, onde não existe uma matriz reguladora central . Foi uma experiência que nos propusemos a fazer para tentar trazer algo novo para a cena, uma experiência nova para o público .
As criptomoedas terão algum papel além do consumo dentro do evento? Quais as vantagens dela em relação ao dinheiro tradicional?
A criptomoeda Zuvie foi utilizada no sistema de escolha dos projetos artistícos , sendo uma moeda que se valorizava de acordo com a venda de ingressos , assim como acontece com as criptomoedas que temos em circulação hoje em dia, com a intenção de valorizar as pessoas que compraram os ingressos no 1º lote, ainda estamos estudando a utilização durante o evento.
No vídeo, vocês colocam que um dos principais problemas do modelo de evento tradicional é o fluxo de caixa e as condições ruins de trabalho, devido ao maior volume de ingressos a serem vendidos na reta final. No modelo descentralizado e com participação do público vocês mencionam atrelar gastos à venda de ingressos, mas isso não implicaria em criar estrutura para um evento muito menor do que poderia ser? Como podem reduzir o impacto disso?
Esse foi o maior problema que nos deparamos, o que pudemos ver ao decorrer do ano com as vendas e a proposta do modelo descentralizado é que e a maioria do público ainda tem a necessidade de ver o artista divulgado para acreditar no evento e que muitas vezes as pessoas não querem ter o trabalho de entrar, votar e etc. Isso se tornou um grande problema quando chegamos na data limite para realizar a logística de artistas e operacionalizar o festival, tínhamos pouquíssimos projetos votados, por isso tivemos que tomar uma ação para tornar viável a realização do festival, saindo um pouco da proposta descentralizada e escolhendo alguns artistas por nossa conta .
Sobre as decisões compartilhadas , como será o processo para organizar tantas demandas e opiniões sobre o que deveria ou não ser feito? Existem limites para a participação popular (ex. pedir artistas muito comerciais)?
O festival tem seu conceito e qualquer coisa que a produção do festival acredite que esteja fugindo do conceito do evento não são aceitas, visando sempre manter a qualidade e raízes do evento.
Muito se fala sobre “manter as raízes do festival” ao longo da sua existência e crescimento. Para vocês, existe um tamanho ideal para o Zuvuya?
Acredito que as raízes de um festival não são mantidas pelo limite de público e sim pela capacidade da produção em manter a qualidade do evento para 200 ou 20.000 pessoas. Quando a equipe é boa, o local suporta e está tudo sincronizado não vejo razão para limitar o evento. Para o Zuvuya acredito que o tamanho ideal é a capacidade que temos de receber as pessoas e estamos longe ainda do tamanho ideal!
As decisões do público não necessariamente são em prol da sustentabilidade, como garantir que o público ‘certo’ está co-criando o evento?
Nunca tem como garantir quem é a pessoa que está do outro lado comprando ingresso e sendo um co-criador do festival, acreditamos que a pessoa por acreditar na proposta do festival já tem ou está buscando um conceito diferente de vida , mas só garantimos a sustentabilidade do evento fazendo um trabalho de campo de conscientização , tentando reduzir ao máximo nosso impacto no local .
E nesse sentido, como garantir a susentabilidade ?
Já desde a segunda edição não usamos descartaveis , utilizamos banheiro seco , fazemos composteira , gestão de resíduos da praça de alimentação, mais toda a parte de bioconstrução .
“Não será permitida a entrada de latas no festival e serviremos as bebidas em Eco Copos para manter o festival limpo e a diversão consciente” – Zuvuya Festival
Parabéns, precisamos muito mais disso. E por fim, o que podem dizer o local escolhido para a celebração para quem ainda não conhece?
O local escolhido para celebração é o mesmo desde a primeira edição, o Lago Corumbá IV , é um dos maiores lagos do Brasil , e proporciona um visual incrível ficando atrás do palco para quem dança na pista, e ainda proporciona um bom alívio ao calor nos dias quentes.

Lucas Hamman
Fique por dentro das novidades do Zuvuya 2018:
• 6 dias de Camping
• 3 áreas:
SYNC
dedicado à música psicodélica uptempo e midtempo.
CYMATIC
chillout e downtempo.
CURArte
palestras, oficinas culturais, práticas, projeção de vídeo e performances.
• Áreas destinadas ao convívio artístico e cultural
• Performances e Intervenções Artísticas
• Feira Mix
• Healing Área
• Acesso ao Lago Corumbá IV
• Chuveiros
• Sanitários com limpeza 24 horas por dia
• Praça de Alimentação
• Cozinha comunitária
• Entrada de bebidas liberdada
• Posto Médico 24hs
• Segurança especializada em festivais
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“ Zuvuya é o termo maia usado para indicar o grande circuito da memória; é o canal direto da memória. Ele nos liga tanto ao futuro como ao passado porque se trata de uma linha interdimensional. Zuvuya é a força que impulsiona a sincronicidade e, conseqüen-temente, a fonte de suprimento da magia” – José Arguelles (“Os surfistas do Zuvuya: história de uma viagem interdimensional”)












