7 perguntas sobre a IV Bienal Internacional de Cultura Psicodélica e Arte Visionária
O que é a Bienal Internacional de Cultura Psicodélica e Arte Visionária?
Fundada como uma iniciativa de artistas de Campinas, interior de São Paulo – Brasil, a Bienal Internacional de Cultura Psicodélica e Arte Visionária (BICPSIeAV ) é um evento que ocorre a cada dois anos, de cunho científico e sócio-cultural, direcionado a todas as classes de público, reunindo profissionais e especialistas, artistas de todos os ramos, terapeutas, curiosos/as e amantes da Cultura Psicodélica de todas partes do mundo.
A Bienal de Arte Visionária tem seu Salão de Artes, com a exposição das obras psicodélicas e visionárias, mas a essência do evento atinge outros espaços e atividades, como oficinas, workshops, conferências e mediações, sendo uma instância de apreciação mas também uma oportunidade de aprimoramento e encontro para os/as participantes.
Apresentação da peça: ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO, O REI Diretor Fausto Antonio.
Como funciona a Bienal?
A Bienal começa de um edital para que artistas que sentem afinidade com nossos processos criativos possam conectar suas ações a nosso manifesto. E a partir da colaboração dos que se inscreveram surge nosso salão de artes e criações inéditas fundindo obras e expressões diversas num processo de curadoria que não busca validar qualidade mas sim organizar as ações coletivas dos artistas que sentem a importância deste manifestar visionário.
Sendo um evento que acontece a cada dois anos, podemos dizer que nossos objetivos vem sendo a defesa tanto da expressão visionária quanto das práticas que potencializam tal experiência , em uma busca de apresentar meios seguros para que mais pessoas possam se conectar com a cultura psicodélica .
Quando e onde acontece a Bienal?
Será na Casa de Vidro – Campinas – SP
, de 18/10/2019 até 12/12/2019.
Serão 56 dias de evento!
Onde pode ser conferida a programação?
Como lançamos a campanha de financiamento coletivo, esperamos surpreender ainda mais o público através deste mecenato coletivo. Dependemos do apoio de todos para concretizar cada atração n esta edição histórica que terá 56 dias de duração!
Alguns artistas já confirmaram sua participação mas muita coisa ainda está por vir! Confira:
Sorina Malack | Monstrance Radio | Artibera | Antar Mikosz | Lucas Cannaudio | Ernesto Boccara | Diego Garcia | Raphael Lima de Medeiros | Beatriz Dias | Gabriel Rizzo | Antibs | Luan Olivero | Luiz Otavio Lowizz Del Vecchio | Dreison Medeiros | Ana Priscila Cayres | Fabricio Bizu | Adriana Barão | Jeisson Castillo | Acacio Pereira | Marcello Lopes Alves // LINE UP MUSICAL: Monstrance Radio / ANTIBS / CANNAUDIO / ZUVUDZ / CRIATURA / DJ NAUL / LOW.IZ / IKEBANA / DJ ANICCA / DOM.
Como se aproximar da Bienal?
Quem tiver interesse em adquirir e/ou conhecer nossas peças e artistas, pode mandar um email para rodrigo.curadoria@gmail.com
Conheça algumas dos obras dos artistas confirmados para a Bienal :
Artibera | Ph: Kevin Giboshi
Antar Mikosz

Raphael Lima Medeiros
Ferramentas, utensílios e armas indígena. Acervo resgatado y montado por uma equipe de historiadores/as da Unicamp. Pode ser visto na Bienal.
Como percebemos o movimento psicodélico no Brasil e no mundo?
A título de movimento psicodélico, muitos entraves ainda geram choques entre culturas ordinárias e a nossa cultura ligada aos estados não-ordinários de consciência, cada vez mais querem que sejamos dependentes e presos nesta roda de consumo e desejos projetados pelos canais de tv, enquanto não nos permitem momentos de filosofia, arte e cultura.
Assim apesar das inúmeras tribos brasileiras guardiãs de memórias visionária ancestrais, de medicinas da florestas e toda a pluralidade cultural brasileira é possível dizer que hoje estamos passando por um processo de tentativa de enclausuramento da alma e do sentimento humano dentro de padrões comportamentais ditados de forma fascista por governos antiquados ao momento consciencial de nossa comunidade planetária.
O descaso com a consciência do brasileiro é tamanha que estão gestando a sociedade a partir de um processo civilizatório quase inquisitório, onde apenas o que chamam de “alta cultura” vem sendo valorizado, deixando a expressão individual como algo secundário onde só a cultura imposta pelas TVs e Governos são respeitadas.
No Brasil e no Mundo também temos conquistas acontecendo, a própria Bienal é resultado destas experiências ao redor de todo o mundo, entretanto ainda temos muito a aprender com nossas almas para podermos curar mais algumas dores de nossa civilização.
Como se conecta o Trance e a Bienal de Cultura Psicodélica e Arte Visionária?
Segundo o músico ANTIBS(Psychofreaks): “A própria palavra PsyTrance já explica o seu lugar dentro do processo criativo da bienal, pois a essência do nome PSY – faz alusão a palavra psycho=”alma” e TRANCE= ou transe em português nos sugere o caminho da transcendência. O transe de nossas almas é representado em muitas das obras pintadas expostas na bienal, e este estilo musical hiper energético manifesta estes momentos astrais através de sons que não só representam mas também induzem este estado meditativo de dança intuitiva e libertária que geram êxtase a partir da sinergia entre corpo, mente e alma. Sendo assim o PsyTrance é uma arquitetura espacial sonora especialmente para esta manifestação da alma a partir da música e da dança”.
Talvez seja possível percebemos que ao longo da história diversas culturas ao redor do mundo se reuniram para dançar suas músicas que possuíam cantos ou não…
A presença do chacra laríngeo portando a capacidade segundo o Aramaico Arcaico de criar universos através da fala
(אברא כדברא “Aberah KeDabar”
)
nos dá essa liberdade de elaborarmos músicas que a partir do canto podem conduzir o imaginário e a memória do audiente a determinados universos de sensação ou conclusão.
Alguns ritmos como o som de tambores tocados de forma cadenciada, ou sinos de cobre tocados para criar frequências transcendentais, poderiam direcionar a experiência musical para algo inefável, onde talvez a fala concreta, objetiva e ordinária do dia-a-dia não conseguiria expressar qual fora o sentimento que a música ou som manifestou, porém Antar Mikosz, Pintor Visionário e Pós-Doutor pela Academia de Belas Artes de Portugal, nos diria que possivelmente um Estado Não-Ordinário de Consciência (ENOC) fora acessado através da música.
Se levarmos em conta a etimologia da palavra Psicodelia que tem origem no Grego Antigo PSYCHē (ψυχή, “alma”) e DēLOUN (δηλοῦν, “manifestar”) e que a música busca em toda sua arquitetura dar oportunidade a essa dança de nossos sentimentos me atreveria a dizer que toda música acessa nossa alma.
Porém o Manifesto da Arte Visionária de Laurence Caruana declara que a Arte Visionária busca dar forma, cores e simbolismo a estas experiências nos estados não-ordinários de consciência(ENOC) e como dito, é possível criamos músicas e sons que de forma intencional representam ou sugerem caminhos transcendentais.
Ter hoje a oportunidade graças a tecnologia de criarmos a música eletrônica, suas derivações de alto a baixo bpm, e infinitas possibilidades e camadas nos cria este instante de podermos novamente manifestarmos intencionalmente caminhos para a transcendência. O Trance Psicodélico veio de origem futuristas do Goa Trance, de sonoridade moderna com raízes em elementos do Acid House. O movimento mundial de apreciadores desta experiência musical mística só cresce.
Já realizamos algumas participações em festivais como Mundo de OZ, Gaia Connection, Terra Azul, Universo Paralello, Adhana e Psychofreaks . Mas sim seria muito interessante conceber um projeto especialmente para um festival integrando as ações da Bienal a pluralidade cultural dos festivais brasileiros.
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